Nova forma de enxergar o ato de dar a luz surge por meio de políticas voltadas à saúde da mulher
O momento do parto, para uma mulher, significa a transição de um estado de solidão latente a um estado de pertencimento eterno a outro ser. Uma experiência única e indescritível. Registrado como um fato importante para mais de 128 sociedades antigas, esse acontecimento, desde os primórdios, era organizado de modo que a mãe pudesse desfrutar da ajuda emocional de outras mulheres mais experientes, denominadas doulas, na hora de dar a luz. Um alento em meio a um processo tão desgastante.
Porém, ao evoluir de maneira significativa ao longo dos últimos séculos a medicina passou a ganhar espaço consistente frente à sociedade e, dentro desse novo processo, o parto foi um dos vários procedimentos que foram institucionalizados no século XX. O ambiente caloroso e aconchegante da casa se tornou a sala de parto de um hospital, local asséptico em todos os sentidos. O cenário do parto havia se modificado de forma brusca. Uma equipe médica enxuta, que tinha como objetivo assegurar a saúde física de mãe e filho, era o único elo da mulher, cheia de sonhos e expectativas, com esse momento.
A carência de preservação da saúde emocional da parturiente, que não contava mais com o auxílio afetivo das senhoras de sua comunidade, passou a crescer de forma exponencial durante essa transição, inaugurando questionamentos quanto à necessidade de se humanizar o parto institucionalizado. Anos mais tarde, essas reflexões ganharam materialidade a partir do esforço de comissões ligadas a saúde da mulher de propiciar a mãe uma atmosfera mais afável no momento do nascimento. A partir dessas iniciativas, a figura da doula renasce no cenário do parto, fazendo com que estas mulheres participem ativamente na construção de um espaço mais tranquilo nesse momento tão importante.
Dividindo-se entre autônomas e voluntárias, as doulas, hoje, são consideradas um porto seguro para mulheres prestes a dar a luz. Dotadas de carinho, voz suave e muita paciência, transitam pelo hospital levando um pouco de alegria e doçura àquele ambiente tão sério. Podendo ser traduzido como “aquela que serve”, o termo doula é utilizado para caracterizar pessoa do sexo feminino, madura, dotada ou não de conhecimento formal, que oferece acalento as parturientes. Mulheres que tem como mérito o conhecimento adquirido através de sua experiência de vida. São senhoras que, geralmente, tem intimidade com o trabalho de parto e suas nuances, proporcionando a grávida um processo mais seguro e feliz.
Quando remuneradas, ganham cerca de R$ 70,00 por dia de trabalho, atendendo cerca de 20 mulheres por mês. A renda mensal não se restringe ao trabalho de doula. As que possuem outras ocupações são cabeleireira, manicure, costureira. O sorriso e o olhar de agradecimento pela ajuda e compreensão são o maior ganho dessas profissionais.
Existem ainda as doulas voluntárias, normalmente ligadas ao SUS. Os projetos de humanização mais bem estruturados oferecem a elas um auxílio de R$30,00 por cada plantão de 12 horas. Apesar de a procura ser muito grande, até mesmo para o trabalho voluntário, poucas permanecem na profissão. Muitas já presenciaram a morte de mães e filhos e dizem que o momento de dar a luz não é tão bonito quanto as pessoas acreditam.
Parto Humanizado
O trabalho realizado com doulas tem sido estudado em diferentes países desde 1980 e os resultados dessas pesquisas apontam para alterações significativas como a redução do tempo de parto, maior interação entre mãe e bebê, e ao bom humor da mãe após o nascimento da criança.
Adotada no Brasil no final da década de 90, a parceria entre doulas e equipe médica surgiu com a implantação de ações voltadas a melhoria da qualidade da atenção obstétrica defendidas pelo Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), do Ministério da Saúde. Proporcionado pela Reforma Sanitária e a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), o modelo hegemônico e as práticas de assistência a saúde da mulher sofreram grandes modificações.
A parceria, no entanto, mostrou sinais de instabilidade nos primeiros meses de sua inauguração. A inserção de uma pessoa que não detinha, na maioria dos casos, conhecimento técnico foi vista como uma dificuldade a mais por profissionais da área da saúde. As doulas eram questionadas pelos médicos quanto a função exercida no procedimento de parto.
Após o convívio prolongado com essas mulheres, os profissionais da saúde no Brasil começaram a experienciar uma nova maneira de se encarar o parto. Os primeiros resultados obtidos pelo Ministério da Saúde foram decisivos para a manutenção dessa atitude de humanização do nascimento. A inserção de uma doula no acompanhamento do processo reduziu em 50% os índices de cesariana, 40% o requerimento de analgésicos e em 25% a duração do parto.
O momento do parto, para uma mulher, significa a transição de um estado de solidão latente a um estado de pertencimento eterno a outro ser. Uma experiência única e indescritível. Registrado como um fato importante para mais de 128 sociedades antigas, esse acontecimento, desde os primórdios, era organizado de modo que a mãe pudesse desfrutar da ajuda emocional de outras mulheres mais experientes, denominadas doulas, na hora de dar a luz. Um alento em meio a um processo tão desgastante.
Porém, ao evoluir de maneira significativa ao longo dos últimos séculos a medicina passou a ganhar espaço consistente frente à sociedade e, dentro desse novo processo, o parto foi um dos vários procedimentos que foram institucionalizados no século XX. O ambiente caloroso e aconchegante da casa se tornou a sala de parto de um hospital, local asséptico em todos os sentidos. O cenário do parto havia se modificado de forma brusca. Uma equipe médica enxuta, que tinha como objetivo assegurar a saúde física de mãe e filho, era o único elo da mulher, cheia de sonhos e expectativas, com esse momento.
A carência de preservação da saúde emocional da parturiente, que não contava mais com o auxílio afetivo das senhoras de sua comunidade, passou a crescer de forma exponencial durante essa transição, inaugurando questionamentos quanto à necessidade de se humanizar o parto institucionalizado. Anos mais tarde, essas reflexões ganharam materialidade a partir do esforço de comissões ligadas a saúde da mulher de propiciar a mãe uma atmosfera mais afável no momento do nascimento. A partir dessas iniciativas, a figura da doula renasce no cenário do parto, fazendo com que estas mulheres participem ativamente na construção de um espaço mais tranquilo nesse momento tão importante.
Dividindo-se entre autônomas e voluntárias, as doulas, hoje, são consideradas um porto seguro para mulheres prestes a dar a luz. Dotadas de carinho, voz suave e muita paciência, transitam pelo hospital levando um pouco de alegria e doçura àquele ambiente tão sério. Podendo ser traduzido como “aquela que serve”, o termo doula é utilizado para caracterizar pessoa do sexo feminino, madura, dotada ou não de conhecimento formal, que oferece acalento as parturientes. Mulheres que tem como mérito o conhecimento adquirido através de sua experiência de vida. São senhoras que, geralmente, tem intimidade com o trabalho de parto e suas nuances, proporcionando a grávida um processo mais seguro e feliz.
Quando remuneradas, ganham cerca de R$ 70,00 por dia de trabalho, atendendo cerca de 20 mulheres por mês. A renda mensal não se restringe ao trabalho de doula. As que possuem outras ocupações são cabeleireira, manicure, costureira. O sorriso e o olhar de agradecimento pela ajuda e compreensão são o maior ganho dessas profissionais.
Existem ainda as doulas voluntárias, normalmente ligadas ao SUS. Os projetos de humanização mais bem estruturados oferecem a elas um auxílio de R$30,00 por cada plantão de 12 horas. Apesar de a procura ser muito grande, até mesmo para o trabalho voluntário, poucas permanecem na profissão. Muitas já presenciaram a morte de mães e filhos e dizem que o momento de dar a luz não é tão bonito quanto as pessoas acreditam.
Parto Humanizado
O trabalho realizado com doulas tem sido estudado em diferentes países desde 1980 e os resultados dessas pesquisas apontam para alterações significativas como a redução do tempo de parto, maior interação entre mãe e bebê, e ao bom humor da mãe após o nascimento da criança.
Adotada no Brasil no final da década de 90, a parceria entre doulas e equipe médica surgiu com a implantação de ações voltadas a melhoria da qualidade da atenção obstétrica defendidas pelo Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), do Ministério da Saúde. Proporcionado pela Reforma Sanitária e a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), o modelo hegemônico e as práticas de assistência a saúde da mulher sofreram grandes modificações.
A parceria, no entanto, mostrou sinais de instabilidade nos primeiros meses de sua inauguração. A inserção de uma pessoa que não detinha, na maioria dos casos, conhecimento técnico foi vista como uma dificuldade a mais por profissionais da área da saúde. As doulas eram questionadas pelos médicos quanto a função exercida no procedimento de parto.
Após o convívio prolongado com essas mulheres, os profissionais da saúde no Brasil começaram a experienciar uma nova maneira de se encarar o parto. Os primeiros resultados obtidos pelo Ministério da Saúde foram decisivos para a manutenção dessa atitude de humanização do nascimento. A inserção de uma doula no acompanhamento do processo reduziu em 50% os índices de cesariana, 40% o requerimento de analgésicos e em 25% a duração do parto.